“ Os olhos estão arregalados, tem a boca aberta e as asas estendidas.
É este, seguramente, o aspecto do anjo da história.
Ele tem a face voltada para o passado.
Onde vemos perante nós uma cadeia de acontecimentos, vê ele uma catástrofe sem fim que incessantemente amontoa ruínas sobre ruínas e ilhas vai arremessando aos pés.
Ele bem gostaria de ficar, de acordar os mortos e de voltar a unir o que foi destroçado.
Mas do paraíso sopra uma tempestade que lhe enfuna as asas e é tão forte que o anjo já não é capaz de as fechar.
Esta tempestade arrasta-o irresistivelmente para o futuro, para o qual tem as costas viradas, enquanto o montão de ruínas à sua frente cresce até ao céu.
Esta tempestade é aquilo a que chamamos progresso
(Benjamin, 1980: 687-698)
